Tecnologia do Blogger.

sábado, 22 de novembro de 2014

Gesta de amante

 

Não sou quem pensou que fosse. Sei que és princesa,  mas eu... Eu sou apenas um plebeu. Não tenho realeza. Nem títulos. Nem nobreza. Minha história é simples como de um lavrador que amanha a terra para tirar-lhe o sustento.  Não tenho muito que lhe dar. Minhas posses se resumem a esse cavalo baio e tudo que pode carregar. Minha riqueza está na terra que piso,  na poeira que levanto. Nos livros que li e guardei comigo. Está nas flores inesgotáveis que admiro. Nos sorrisos que arranquei, nas lágrimas que verti. É o voo da borboleta e o canto do passarinho. A inquietação metafísica com o sofrimento do mundo. Se te interessam essas posses então vem comigo. Sobes na garupa.

 

Vem,  foge pro litoral!

 

Que serás rica. Vou te fazer imperatriz num castelo de areia. E nas noites nadaremos juntos,  nus como há de ser a liberdade. E faremos amor na praia, sob o luar. No teu ventre plantarei um filho. E depois outro. E nossos filhos darão inveja a Botticelli. E multiplicar-se-ão mundo afora. E herdarão nosso reino –  apenas o horizonte será o limite de nossas paragens. E quando morrermos,  bem velhinhos, quando morrermos há ainda uma estrela de cruzar o céu. Jogar-se-á,  aqui na Terra, nesta pequenina  terra, só para vislumbrar esta canção chegar ao final.

 

gesta de amante

1 comentários:

Li. disse...

quanta delicadeza. lindo seu texto.

Postar um comentário

  ©Composto Substantivo - Todos os direitos reservados.

Template by Dicas Blogger | Topo