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sexta-feira, 28 de novembro de 2014

E agora, quem poderá nos defender?

Hoje a noite quando sai do trabalho fiquei com os olhos cheios d'água ao checar o Facebook pelo celular. A notícia era de uma perda. Notícia de morte. Nunca o vi pessoalmente e mesmo assim tive a sensação de que morria um conhecido. Nunca entendi essa ligação que as pessoas têm com figuras públicas,  reações de se descabelar e chorar. Nunca entendi até esse momento. Decidi então que precisava escrever sobre isso – o cronista antes de qualquer coisa é um oportunista, um abutre de emoções e cenas.

 

Mas o que dizer,  leitor? O que dizer? O que posso escrever que já não foi dito? Que os deuses me livrem de cair nas obviedades! Ai de mim! Você,  navegante de primeira viagem – também fã da ainda não citada figura pública e atraído até aqui pelo assunto – certamente fecharia este periódico para nunca mais voltar. E o outro,  já leitor habitue, diria "ora, mas que marasmo! O Bornéo tá perdendo a mão!". Difícil tarefa essa que me designei! Mas agora,  aqui,  do alto do terceiro parágrafo depois de períodos tão longos,  não me resta escolha se não continuar.

 

Acho que já passou da hora de mencionar para quem é dedicado este post. Ao menos que você viva numa bolha,  provavelmente já deduziu,  claro. Talvez até também tenha ficado com olhos marejados quando abriu sua rede social hoje (porque nesses dias me parece que ninguém mais fica sabendo de nada realmente importante pelos jornais) e viu noticiado o falecimento de Roberto Gómez Bolaños,  o Chespirito, El Chavo, ou simplesmente,  Chaves. Não se envergonhe desse sentimento,  caro leitor. Provável que quem lhe manda as lágrimas é uma criança aí,  a muito esquecida. Aceite-as como um presente. Uma dádiva que é dada aos que mantiveram viva alguma luz da tenra infância.

 

Para que se sinta menos constrangido em chorar por Roberto,  vou contar-lhes um segredo. Não do tipo secreto;  esses a gente não coloca na Internet. Mas ainda sim é um segredo, na medida em que nunca foi dito. Pois bem, sem mais delongas porque o post já está ficando longo e paciência do leitor hoje em dia é curta: algum tempo atrás,  não sei exatamente precisar a data, mas foi depois do Carnaval e antes  da Copa do Mundo,  fiquei alguns dias em casa,  adoentado. Num desses dias,  movido pelo mais profundo tédio de ficar na cama sem fazer nada, pus-me a zapear os canais de tevê. Acabei parando em um episódio de Chaves. Com um único olhar reconheci que era o episódio em que a vila toda vai de férias para Acapulco (ou Guarujá,  se o leitor assim preferir).

 

(Não sei se você já viu esse episódio.  Se não, corra para o YouTube e corrija imediatamente esta falha grave como ser humano.)

 

Então, falava do episódio. (SPOILER ALERT!) Neste todos os personagens viajam e o Chaves é o único que fica na vila. As luzes vão escurecendo e Chaves fica sozinho... Então chega o Sr. Barriga e o convida para ir também. Neste momento,  caro leitor,  eu já estava em lágrimas. Impossível precisar quantas vezes eu já tinha visto esse episódio. Nunca havia chorado. Mas naquele dia,  sozinho naquela tarde,  experimentei uma emoção inédita. Não saberia explicar o porquê. Ou talvez eu saiba, mas precisaria de outro post inteiro.

 

Fim da minha história secreta. Fim também desta crônica. Não quero cansar mais você leitor com melancolias. Esta é uma despedida que deve ser grave, não triste. As lagrimas que por ventura derramarem – assim como as minhas hoje de tardinha e naquela outra tarde, entre o Carnaval e Copa – serão um tributo. Morreu Roberto Bolaños. Mas com o Chespirito não se preocupem! Este passa bem. É imortal.

 

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3 comentários:

Psicanálise disse...

Excelente lembrança ....

Psicanálise disse...

"... despedida grave , não triste "

Interessante Vitor.

Vitor Bornéo disse...

A solenidade da despedida sem a dor do apego. Enorme dilema, não? :-)

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