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quinta-feira, 7 de julho de 2011

Transformers 3: O Lado Oculto da Lua - crítica

Por Vitor Bornéo.

Antes de tudo, tenho dois recados:

O primeiro é sobre a função deste veículo pelo qual lhes escrevo: quando venci meus temores e decidi manter um blog, um dos objetivos do Composto Substantivo – além de abrigar uma pequena parte do que eu poderia chamar de, modestamente, minha produção literária – era servir de espaço para resenhas críticas literárias ou cinematográficas, não apenas minhas, mas futuramente, para outros amantes destas artes que estejam interessados em publicar na internet e compartilhar suas opiniões com o público.

Depois de muito adiar este início, ontem, após assistir Transformers 3 decidi que era o filme perfeito para inaugurar esta seção do blog. Isto nos leva ao segundo recado: se você é daqueles que vai para o cinema assistir Transformers esperando um filme que vai te fazer repensar sua vida, nem perca seu tempo: certamente não irá gostar do filme e este post não tem nada a acrescentar na sua vida. Ah, e é claro, provavelmente você também é um belo de um chato. Não deixe de visitar os posts sobre filmes bielorussos, paquistaneses, japoneses etc.

Bem, recados dados, posso finalmente partir para a crítica de fato.

Assim como seus dois predecessores, Transformers 3: O Lado Oculto da Lua (Transformers: Dark of the Moon), tem a direção de Michael Bay (Pearl Harbor, Bad Boys) e ninguém menos que Steven Spielberg (Resgate do Soldado Ryan, Indiana Jones) como produtor, o que já havia se revelado – os números das bilheterias não me deixam mentir –, uma formula de sucesso. A novidade aqui fica por conta do roteiro que, além de Ehren Kruger (O Chamado, A Chave Mestra) – que já havia assinado o texto dos dois antecessores – conta com a co-autoria do próprio Spielberg. Sem querer tirar o mérito de Kruger e dos co-autores dos outros dois longas, mas este acréscimo a equipe fez toda diferença: a mão Spielberg se faz presente do início ao fim do filme.

transformers3_800

Depois de um primeiro filme muito bom (Transformers: O Filme) e uma continuação de moderada para fraca (Transformers 2: A Vingança dos Derrotados), talvez o grande mérito de Transformers 3 seja reunir todos os acertos das duas produções anteriores sem cometer nenhum (ou quase nenhum) dos seus erros. A começar pelos aspectos mais técnicos, nos quais eu diria que o filme é impecável. O som, por exemplo: em uma história que, literalmente, coisas explodem o tempo todo, os efeitos sonoros realmente fazem você sentir que os disparos e explosões são reais e acontecem na cadeira ao lado (se você estiver em uma sala com som 3D e tecnologia THX, ajuda bastante).

Transformers-Dark-of-the-MoonCom texturas e efeitos visuais incríveis, Transformers 3 também deixa claro que a fronteira entre o universo do cinema e o imaginável de se ver apenas em quadrinhos ou animações não existe mais. É uma produção de encher os olhos de qualquer um chegado a efeitos especiais de qualidade. O design dos Autobots é tão bem pensado e executado que até dá para enxergar perfeitamente as expressões nos carões metálicos sem deixar de reparar que são veículos transformados. E para os que curtem a tecnologia, fica a dica: não deixem de assistir o filme em uma sala 3D. Ao contrário de muitas produções com um 3D meia-boca – muitas vezes adaptado após a conclusão das filmagens em 2D (alguém pensou em Fúria de Titãs?) – que invadiram as salas de cinema com o efeito Avatar, realmente tive a nítida sensação que os estilhaços das lutas entre Autobots e Decepticons “saiam da tela”, e o mais importante, sem prejudicar em nada as cores e a definição da imagem.

Uma das críticas mais repetidas na ocasião do lançamento de A Vingança dos Derrotados era referente às sequências de luta entre Autobots e Decepticons: muito rápidas e com muito “metal” voando de um lado para o outro, elas ficaram com uma montagem confusa, que até mesmo dificultou ver “quem era quem” na hora das pancadarias. Esse problema foi completamente resolvido em O Lado Oculto da Lua com enquadramentos mais bem pensados, montagem mais criteriosa e, até diria, traços visuais mais marcantes nos personagens que se envolviam em lutas.

transformers-dark-of-the-moonOutra coisa legal é que o roteiro desta vez lembrou mais dos humanos. Enquanto nos filmes anteriores mesmo os soldados e o pessoal das armas pesadas eram fichinhas perto dos grandalhões metálicos, nesta terceira sequência vemos os humanos colocando a mão na massa para valer, dando trabalho para os Decepticons e não só correndo de um lado para o outro, disparando inutilmente. Falando em humanos, mérito grande também é a forma como a trama se mistura com eventos da história contemporânea, a exemplo do programa Apollo, como foi mostrado no trailer.

O elenco continua quase o mesmo dos filmes anteriores, salvo pela terrível perda de Megan Fox, que aparentemente saiu da produção por desentendimentos com Bay e Spielberg – digo terrível porque... bem... digamos que ela fosse um elemento visual importante dos outros dois longas. Então, no lugar de Mikaela temos a agora Carly (Rosie Huntington-Whiteley) como par romântico de Sam Witwicky (Shia LaBeouf). A moça – que além de modelo da Victoria's Secret foi escolhida pela revista Maxim em 2011 como uma das “mulheres mais quentes” do mundo –, apesar de estreante, cumpre bem a difícil tarefa de substituir Fox como a personagem feminina mais importante (quase que a única) e a “gostosa símbolo” do longa. Alias, cumpre tão bem, que a montagem do filme pareceu querer deixar bem claro para os que ainda estavam temerosos com a saída de Megan Fox que ela não faria falta, dando à bunda da moça justamente a primeira cena do filme (logo após os créditos iniciais: bastante atenção rapaziada, infelizmente ainda não dá para dar replay no cinema).

Rosie-Huntington-Whiteley-transformers-3

Mesmo assim, a saída da personagem Mikaela acabou sendo, a meu ver, um dos poucos defeitos de filme. Ficamos sabendo do rompimento do casal em dois diálogos secundários, um no início e outro no meio do filme. Tudo na base do “ela me deu um pé na bunda”. Como assim? Nós vemos os dois salvando o mundo juntos duas vezes, quase morrendo uma dúzia de vezes e jurando amor eterno outra dúzia, então eles simplesmente... terminam? Os dois não eram o que eu chamaria de um casal normal... A forma como o filme mostra que Sam conhece a nova namorada só piora tudo. Teria sido melhor, na minha opinião, apenas mudar atriz e manter a mesma personagem como já foi feito em filmes com problemas semelhantes (ou será que alguém sentiu falta da Kate Holmes em Batman: The Dark Knight?). Até porque, durante o filme às vezes até esquecia que não era a Mikaela que estava ali, de tão superficial que foi a nova personagem criada para a trama.

Mas nada disso chega a prejudicar a qualidade do longa. John Turturro se mantém impagável como o agente Simmons, Shia LaBeouf continua “passando de ano” e o resto do elenco mantêm um bom nível de interpretação considerando o que se espera de um filme deste gênero. Senti falta do Optimus Prime (voz de Peter Cullen), achei que ele aparece um pouco menos do que eu gostaria, mas afinal, não se pode ter tudo. E suas cenas estão com a verdadeira visão do carisma e liderança que o personagem pede.

O saldo final do filme é mais que positivo. Nunca se viu um número tão grande de Autobots e Decepticons em tela ao mesmo tempo o que da as batalhas (e a destruição!) uma escala épica que parece ter crescido em progressão geométrica desde o primeiro Transformers. Adicione a isso a incrível trilha sonora de Steve Jablonsky – que conseguiu se superar desta vez – e você ganha uma sequência mais memorável que a outra.

Conclusão? Os US$ 195 milhões mais bem gastos por Hollywood este ano. Pelo menos até agora...

Em tempo, um pequeno comentário pessoal. Quando estava no caixa, prestes a comprar o ingresso, dei-me conta que não levava comigo nada que me garantisse o direito de meia-entrada. O que aconteceu em seguida foi nada menos que um assalto: R$ 24,00 o preço inteiro da seção na sala 3D do Shopping Tijuca. Isso mesmo, paguei R$ 24,00! Já fui em shows mais baratos que isso! Uma arma na cabeça seria mais discreta. Então, não é difícil imaginar o tamanho da minha má vontade para com o filme quando sentei na poltrona... Felizmente valeu cada centavo. Não sei se Michael Bay vai ser tolo o suficiente para embarcar em outra produção podendo fechar sua participação na franquia com o místico número três, e ainda por cima com chave de ouro. Mas se o fizer, certamente irei conferir. Não sou daqueles que fica temeroso que o um novo filme estrague o anterior. Mesmo se a Warner se recusar a largar o filão, nada do que eles fizerem anula o bom trabalho feito por Bay e Spielberg até agora.

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